Cócoro... cócó...
São cinco da matina.
Sorria! Estou no “CU” da Bahia.
Não me irrite.
Vou sair desta fria.
Nasci aqui, e, lá me criei.
Neste Sertão eu vi, O que lá não sei.
“Num sei inganá”...
Tenho que “disfaçá” !
Num sei calá” ... espero “agüenta” !
“Num sei mintí”...
Vou morrer de rir.
Eu sei sorrir!
Quero dormir.
E, esquecer desse abacaxi.
O do Pentáurea?
Esse já não existe mais...
No Brejo,
Sou sapo.
Em Janaúba,
Nadei no Gurutuba.
No Quem-Quem,
Não vi ninguém.
Em Jequitaí,
Roí um pequi.
Em Nova Esperança, “trupiquei”.
Luzes, câmeras, ação. Eu estava em Patis.
Não posso calar.
É hora de falar.
Vou desabafar
....arroz com pequi,
... feijão com torresmo,
... carne de sol com mandioca.
“Oia só Syó !
Hoje tem arrasta pé.
Do Theo? Não. Do Gil.
Que beleza! É a alta nobreza.
Mas, que pobreza!
A propósito, nesta hora da madrugada,
debaixo da minha janela, gatos se atracam.
A fêmea urra.
O macho sussurra.
Estão em festa!
E, entre urros e sussurros,
a nobreza invade a pobreza.
Tampa a cara, e mostra a bunda.
Afinal de contas a vida é esta.
Tudo acaba na coluna do Caroba, e no Bar do Durães.
Montes Claros do Sertão,
Da poeira e do calorão.

IGREJA DOS MORRINHOS

Nenhum comentário:
Postar um comentário